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sexta-feira, 15 de março de 2013

REVISTA N° 09- LIÇÃO 17- O FUTURO DA IGREJA

Em Lucas 21.36 está escrito: Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e possais estar em pé na presença do Filho do Homem"  (ARA). Este versículo bíblico afirma que devemos vigiar e orar para escapar dos juízos divinos contra o mundo Como fazer isso? Estudando escatologia. Ao estudá-la, faça isso em oração e pedindo ao Senhor que ilumine o seu entendimento.

O que escatologia?


A escatologia bíblica utiliza a Ciência da Metodologia Indutiva, para chegar à verdade revelada da Palavra de Deus contida nos escritos originais, em hebraico e grego . Assim, transpõe as barreiras culturais e linguística de mais de dois mil anos. Leva em consideração a linguagem distinta do texto bíblico, pesquisa a cultura diferente que existia na época em que o texto foi escrito. Analisa imagens, símbolos e metáforas, com a finalidade de elucidar quais textos usam mensagens literais e simbólicas.
Escatologia bíblica é a doutrina que lida com as “últimas coisas” relacionadas a Cristo e a Igreja, por meio da soberania de Deus, "segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor" (Efésios 3.11). A palavra tem raiz no idioma grego: “eschatos” (último); “logos” (estudo). Fazendo uso de análise exegética das Escrituras Sagradas, estuda todas as nossas crenças cristãs quanto ao fim dos tempos. A matéria ensina sobre os eventos que estão para começar a acontecer a qualquer instante. Aborda a vinda de Cristo e o que isso acarretará para a humanidade (os salvos, os não salvos e os judeus).
Expressões bíblicas escatológicas: “últimos dias” (Isaías 2.2; Miquéias 4.1); “últimos tempos” (1 Pedro 1.20) e “última hora” (1 João 2.18).
A escatologia faz uso das profecias.


De Gênesis à Apocalipse a Bíblia está cheia de profecias. Quem quiser entender corretamente as profecias da Palavra de Deus, deverá seguir as diretrizes teológicas, que representam parâmetros importantes aos estudiosos das Escrituras Sagradas.
O que é profecia? A palavra grega para profecia é “propheteia”, originárias de duas outras palavras gregas, pró (para frente) e “phemi” (falar). Significa falar a respeito da mente e do conselho de Deus. Por esta definição entendemos que a Escritura em certo sentido é profecia.


Eventos escatológicos


1 Tessalonicenses 4.16-17: O que acontecerá no Arrebatamento da Igreja;
2 Coríntios 5.10: O Tribunal de Cristo;
Daniel 9.25-27: Quanto tempo durará a Grande Tribulação?
Zacarias 14.4: Jesus voltará a Terra outra vez? Sim!
Apocalipse 20.11-15: O que a Bíblia diz sobre o Juízo Final;
2 Pedro 3.13: As revelações bíblicas sobre Novos Céus e Nova Terra.


Escatologia não é futurologia


Existem muitos futurólogos no mundo, mas somente a Bíblia contém a verdade sobre o futuro.  Ela foi divinamente escrita, portanto nenhum leitor pode interpretá-la fazendo especulações ou interpretações e conclusões próprias.
É preciso estudar escatologia com o cuidado de não ir além do que está escrito (1 Coríntios 4.6). Para conhecer o futuro, é preciso buscar na Palavra de Deus o que está revelado.


Conclusão


Deus anuncia em sua Palavra o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam, e declara: “o meu conselho será firme e farei toda a minha vontade” – Isaías 46.9,10. 


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Texto resumido e compilado, de: Bíblia de Estudo Indutivo (Editora Vida), edição de 1997).

Primeiraigrejavirtual 

REVISTA N°9- LIÇÃO 16-ISRAEL E A IGREJA

A chamada dos doze discípulos por Jesus para participarem de sua missão tem sido amplamente reconhecida como um ato simbólico, no qual se demonstra a continuídade entre os seus discípulos e Israel. Que os doze representam Israel, pode ser demonstrado pela atuação escatológica que lhes é atribuida. Eles devem sentar-se nos doze tronos, "a julgar as doze tribos de Israel" (Mt 19.28; Lc 22.30). O reconhecimento de que os doze foram escolhidos para constituirem o núcleo do verdadeiro Israel não exclui a perspectiva de que o número 12 também implica numa vindicação de todo o grupo dos seguidores como o "qahal" (a congregação) de Jesus.

Os doze estão destinados a exercerem a função de regentes do Israel escatológico; mais já são recipientes das bençãos e poderes do Reino escatológico. Consequentemente, eles representam não somente o povo escatlógico de Deus, mas também aqueles que aceitam a presente oferta da salvação messiânica. Através da parábola vivida da escolha dos doze, Jesus ensinou que estava suscitando uma nova congregação para ocupar o lugar da nação que estava rejeitando a sua mensagem.
A expressão de Jesus em Mt 16.18,19, nos fala a respeito da criação de uma determinada oraganização ou instituição, não deve ser interpretada em termos da "ekklesia" característicamente cristã como o corpo e noiva de Cristo, mas em termos do conceito vétero-testamentário de Israel como povo de Deus. A idéia de "edificar" um povo é uma idéia do V.T.. Acresce o fato de que ekklesia é um termo bíblico que designa Israel como congregação ou assembléia de Yahweh, constituindo-se uma tradução da palavra hebraica "qahal". A pregação e ensino de Jesus permaneceu dentro do contexto total da fé e prática de Israel. Israel como nação rejeitou a salvação messiânica proclamada por Jesus, mas muitos a aceitaram. Dessa forma, Jesus considera seus discípulos assumindo o lugar de Israel como o verdadeiro povo de Deus.
A expressão a respeito da fundação da igreja é adequada ao ensino de Jesus e significa que ele considerou o círculo daqueles que receberam a sua mensagem como sendo os filhos do Reino, o verdadeiro Israel, o povo peculiar de Deus. Não há insinuação quanto a forma que este povo deve assumir. A declaração a respeito da disciplina na "igreja" (Mt 18.17) categoriza os discípulos como um grupo de comunhão distinto da sinagoga judaica, mas lança pouca luz sobre a forma de organização que o novo grupo de companheirismo deve assumir. A igreja como um corpo separado do judaismo, com a sua organização própria e ritos peculiares, é um desenvolvimento histórico posterior; mas é uma manifestação histórica de uma nova comunhão, que veio à existência, devido à atuação de Jesus, como o verdadeiro povo de Deus, o qual, tendo recebido a salvação messiânica, deveria assumir o lugar da nação rebelde como o verdadeiro Israel de Deus.
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

REVISTA N°9- LIÇÃO 15- IGREJA MILITANTE E TRIUNFANTE

Por R. B. Kuiper


É muito comum fazer uma distinção entre a igreja militante e a igreja triunfante. A igreja é militante enquanto estiver na terra; a que está nos céus é triunfante. Por isso, não está fora de ordem dizer, quando alguém morre no Senhor, que passou da igreja militante para a igreja triunfante.
É evidente que ambos aspectos da igreja de Cristo são gloriosos, e não é errado dizer que a igreja no céu é muito mais gloriosa que a da terra. Porém, o que muitos não parecem entender é que a igreja triunfante não alcançou ainda a glória para a qual está destinada. Além do mais, é estranho que a glória da igreja militante seja tão freqüentemente subestimada. A verdade é que a igreja triunfante de agora não é, em alguns aspectos, tão gloriosa como se supõe ser, e que a igreja militante é consideravelmente mais gloriosa do que freqüentemente se pensa. Pode-se dizer ainda, corretamente, que a igreja militante já é triunfante, e que a triunfante é, todavia, militante.

A GLÓRIA INCOMPLETA DA IGREJA TRIUNFANTE

Longe de nós diminuir a glória da igreja no céu. Visto que ela é livre de todo pecado e perfeita em santidade, é sobremaneira gloriosa. Além do mais, participando da glória de Cristo, sentado à destra de Deus, ela reina com Ele sobre Seus súditos aqui na terra. Sua glória excede o poder da imaginação humana. Seu esplendor é tal que nenhum olho o viu, nem ouvido o ouviu, nem subiu ao coração do homem (1 Coríntios 2:9).
Contudo, não pode se negar que depois da consumação de todas as coisas, a igreja no céu será ainda mais gloriosa que o que é agora. Seu estado atual, não obstante ser glorioso, é preparatório. Abaixo citamos algumas coisas que ainda restam ser aperfeiçoadas.
É óbvio que a membresia da igreja triunfante não está completa ainda. E não será até que o último crente tenha sido levado a sua glória. Tal coisa não ocorrerá até a segunda vinda de Cristo. Os santos que ainda estiverem vivos se reunirão com a igreja triunfante sem experimentar a morte. Então, o número completo dos eleitos de Deus se reunirá num corpo como nunca antes. Logo aparecerá o corpo perfeito de Cristo constituído por todos seus membros sem exceção alguma. É então que lá se passará a lista e não faltará nenhum daqueles que Cristo comprou com o Seu sangue. Isto será glória para a igreja e também para sua Cabeça. "Na multidão do povo está a glória do rei" (Provérbios 14:28).
Uma igreja não pode ser mais gloriosa que os membros dos quais se constitui. O mesmo é certo com relação à igreja triunfante. Porém, os santos no céu não alcançaram ainda a plenitude da glória. Pode-se dizer, inclusive, que sua salvação está ainda em processo. Seus corpos estão descansando na terra. E não será senão até que aqueles corpos, semeados em corrupção, desonra e fraqueza, tenham sido ressuscitados em incorrupção, glória e poder, e como corpos espirituais tenham sido unidos com suas próprias almas, sem pecado, que a morte será absorvida em perfeita vitória.
A Bíblia nos diz que a igreja no céu tem ânsias que não serão satisfeitas até que o Senhor Jesus Cristo regresse para julgar o mundo. Numa de suas visões, João viu, debaixo do altar, as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e pelo testemunho que tinham, e ele os ouviu clamando em grande voz, dizendo: "Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?" (Apocalipse 6:10). Esta não é uma demanda de vingança pessoal, mas uma oração militante pela vindicação da justiça divina e da manifestação da glória de Deus na destruição dos Seus adversários. Portanto, lemos que quando Babilônia é destruída, os habitantes dos céus proclamam: "Aleluia! A salvação e a glória e o poder pertencem ao nosso Deus; porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos" (Apocalipse 19:1b,2).

A GRANDE GLÓRIA DA IGREJA MILITANTE

Os tempos atuais são de pacifismo eclesiástico. Quase todas as igrejas, em vez de opor-se ao erro, o toleram, e em muitos casos, o entronizam. Pouquíssimas igrejas afirmam que um erro doutrinário é pecado. A imoralidade flagrante e a injustiça social são vistas com maus olhos, porém, outras formas de mundaneidade andam livres entre os membros da igreja. Raras vezes disciplina eclesiástica é aplicada, e o exame de uma heresia tem sido relegado à Idade Média. As diferenças históricas entre as denominações são tidas como insignificantes e a união das igrejas está em moda. E quando os homens de integridade e valentia se esforçam para purificar a igreja, estes são prontamente expulsos como perturbadores da paz em Sião.
Já é tempo da igreja se recordar que a militância pertence à sua própria essência. Quando uma igreja deixa de ser militante, deixa ao mesmo tempo de ser uma igreja de Jesus Cristo. A igreja aqui na terra é gloriosa, não apesar de sua militância, mas precisamente por ser militante.
Uma igreja verdadeiramente militante opõe-se firmemente ao mundo, dentro e fora de suas paredes. Assim, sua militância prova que, embora esteja no mundo, não é do mundo. A militância da igreja manifesta a antítese entre os filhos de Deus e os filhos do diabo. Tal antítese é absoluta. É ativa também. Não é como a antítese que existe entre o branco e o negro, que é passiva, digamos, como no caso de um vestido, mas é uma que se assemelha à antítese que existe entre o fogo e a água, que estão em violento conflito. Sem dúvida, a igreja quer ver os homens e mulheres do mundo salvos e nunca perde de vista o fato de que a graça onipotente pode, num abrir e fechar de olhos, transformar um inimigo em amigo. Contudo, ainda que pareça paradoxal, ainda resta a verdade de que não só o mundo está em inimizade com a igreja, mas que também a igreja está em inimizade com o mundo.
Colocando de forma positiva, a militância da igreja é prova de sua santidade. Como a luz do mundo, ela não pode senão empenhar-se em dissipar a obscuridão do pecado. Como defensora da verdade, deve se manter zelo e firmemente vigilante da verdade de Deus contra qualquer erro. Assim, a militância chega a ser sinônimo de glória.
Uma verdade que freqüentemente é ignorada é que a igreja militante é vitoriosa. Não somente vive na certeza de seu triunfo final, mas é vitoriosa aqui e agora. Como isso não quero dizer que seus membros chegaram à perfeição moral. Tampouco que alguns de seus membros estão livres de todo pecado conhecido, como o Movimento da Vida Vitoriosa quer que creiamos. Pelo contrário, cada um de seus membros deve confessar: "Todos tropeçamos em muitas coisas" (Tiago 3:2). Ainda assim, a igreja militante é vitoriosa numa forma muito real. Cristo, sua Cabeça, venceu para sempre Satanás e o mundo, o pecado e a morte; e Seu corpo, que é a igreja, participa de Sua vitória. Por isso o apóstolo Paulo, ao clamar em aborrecimento de si mesmo: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" imediatamente depois, numa explosão de regozijo e louvor, disse: "Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor!" (Romanos 7:24,25). Em sua tarefa de proclamar o evangelho, o mesmo apóstolo encontrou a maior oposição; ainda assim, ele se gloriou dizendo: "Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo..." (2 Coríntios 2:14). E o escritor de Hebreus quase identifica a igreja militante com a triunfante quando diz: "Mas tendes chegado ao Monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, a miríades de anjos; à universal assembléia e igreja dos primogênitos inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados" (Hebreus 12:22,23). Portanto, cantamos:
Com Deus aqui na terra,
Mantém a comunhão;
E com os já no céu,
Forma uma só união.
Um dia a vitória da igreja militante será consumada. Ela se unirá com a igreja triunfante. Um anjo disse a João na ilha de Patmos: "Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro". E ele viu "a grande cidade, a santa Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, tendo a glória de Deus" (Apocalipse 21:9-11a). 

Monergismo

REVISTA N°9- LIÇÃO 14- O PODER DA IGREJA

 O ESPÍRITO SANTO NA IGREJA

Por  William Macleod



A obra do Espírito Santo é tão necessária quanto a obra de Cristo. Talvez isto surpreenda você. Mas Jesus diz: ‘É necessário que eu vá: pois se eu não for, o Consolador não virá para vós outros’ (João 16.7). Isto seria um desastre terrível. O ministério do Consolador é essencial. Nos tempos do Velho Testamento a vinda de Cristo era prometida e era intensamente antecipada. E quando Ele por fim veio, prometeu e ensinou o Seu povo a ansiar a vinda do Espírito. Tendo morrido pelos pecados do Seu povo e assim tendo satisfeito as exigências da justiça divina, Jesus ressuscitou ao terceiro dia, ascendendo aos céus no quadragésimo dia após a Sua ressurreição, enviando o Espírito Santo dez dias depois.
A vinda do Espírito prova que Cristo completou gloriosamente a Sua obra redentora. O Espírito continua e aperfeiçoa a obra de salvação que Cristo iniciou. Ele assim o faz como o braço de Cristo.
João Batista disse: "Eu na verdade batizo com água para arrependimento, porém Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mat. 3.11). A maioria dos estudos sobre a obra do Espírito trata da sua atividade como indivíduo. A Bíblia, no entanto, vai além da abordagem (atomística) em partes e fala também da obra corporativa do Espírito Santo e é disto que gostaríamos de tratar neste artigo.


1. O Espírito na Origem da Igreja

Em certo sentido a Igreja já existia no Velho Testamento. Estevão fala da ‘igreja no deserto’ (Atos 7.38). A Igreja consiste no povo de Deus, nascido de novo do Espírito, e salvo pela fé no Messias. Nos tempos do Velho Testamento assim como no Novo, o Espírito aplica a redenção comprada por Cristo aos indivíduos. Existe a Igreja exterior, Israel, e existe a igreja invisível, o verdadeiro Israel, entre os quais não há hipócritas.
Ainda assim algo especial aconteceu no dia de Pentecostes. Naquele dia começou a era do Espírito, e nasceu a Igreja do Novo Testamento, uma Igreja para o mundo inteiro. O ministério público de Jesus foi inaugurado com o Seu batismo com o Espírito. Da mesma forma os seus discípulos têm de esperar até que recebam o batismo do Espírito, que os fará uma Igreja poderosa pronta para ministrar para Deus no mundo. O Espírito veio naquele dia como um som de um vento impetuoso, línguas como fogo pairavam sobre os fiéis, e novos poderes a serem comunicados em línguas estranhas lhes foram dados.
O povo de Deus se tornou uma Igreja que fervia para o Senhor, corajosa, sábia, poderosa e zelosa. Pecadores eram convencidos dos seus pecados e convertidos em larga escala; 3.000 no primeiro dia. Jesus disse "Ele fará obras ainda maiores que estas" (João 14.12), e agora esta difícil palavra de Cristo se torna clara, ao serem muito mais pessoas convertidas do que com a pregação de Cristo. A parábola do grão de mostarda se torna uma realidade quando um pequeno grupo de seguidores se torna uma grande Igreja. O ingrediente vital neste desenvolvimento espetacular é o derramar do Espírito. Apesar de Ele ter trabalhado na Igreja do Velho Testamento, era de uma forma muito mais limitada e restrita. Havia poucos fora de Israel aos quais vinha a graça de Deus. Mesmo em Israel, obviamente, muitos eram não regenerados. Agora, no entanto, Cristo havia morrido, a redenção foi consumada, o dom do Espírito havia sido dado e a Igreja do Novo Testamento começa, equipada para sua grande tarefa de evangelizar o mundo e preparar o povo de Deus para a glória.

2. O Espírito Santo Equipa a Igreja

Que diferença a vinda do Espírito fez no dia de pentecostes! Os fracos, confusos e amedrontados se tornaram poderosos e destemidos pregadores. Nos tempos do Velho Testamento o Espírito equipou indivíduos para várias tarefas: juízes para julgar (Juízes 6.34); reis para governar (1 Sam. 10.9-10); profetas para profetizar (Ezequiel 2.2); Bezalel construiu o Tabernáculo (Ex. 31.3) etc. No Novo Testamento o Espírito é dado à Igreja, Ele equipa crentes individualmente para sua função dentro do grupo.
A Igreja toda é comparada a um corpo e os indivíduos são membros ou partes diferentes deste corpo. "A um é dada pelo Espírito a Palavra de sabedoria; a outro, a palavra de conhecimento pelo mesmo Espírito", etc (1 Cor. 12.8-9). O Espírito (1Cor 12.11) assegura que a Igreja está plenamente equipada para sua tarefa. Os dons extraordinários passaram, pois o Senhor não os vê mais necessários para a Sua Igreja, mas tudo que se requer para o bem da Igreja é um evangelismo de sucesso eficaz.
Paulo nos diz que Cristo, tendo ascendido aos céus, "deu uns para apóstolos; e outros para profetas; e outros, como evangelistas; e outros, como pastores e mestres; para o aperfeiçoamento dos santos, para o trabalho do ministério, para a edificação do corpo de Cristo" (Ef 4.11-12). Ele o faz dando o Seu Espírito no dia de pentecostes. O Espírito dá a indivíduos os dons necessários, que eles precisam para cumprir o papel vital dentro do corpo.

3. O Espírito Santo Ensina a Igreja

"Toda Escritura é dada por inspiração divina" (1 Tim 3.16). "Homens santos de Deus falaram ao serem movido pelo Espírito Santo" (2 Pe 1.21). Deste modo as Escrituras são o produto do Espírito por meio do qual Ele ensina a Igreja. No entanto, o Espírito não apenas dá a Bíblia, mas também abre mentes e corações às suas verdades. Deus dá à Sua Igreja o "espírito de sabedoria e revelação no seu conhecimento: tendo sido iluminados os olhos do vosso entendimento" (Ef 1.11-18). Jesus declara: "O Espírito da verdade vos guiará a toda a verdade..., há de receber o que é meu e vo-lo há de anunciar" (João 16.13-15); "... e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito" (Jo 14.26); "... esse dará testemunho de mim" (Jo 15.26). O Espírito certifica a Igreja da verdade das Escrituras. Ele nos capacita a dizer "Abba, Pai" (Rom 8.15). João afirma sobre o povo de Deus: "Vós tendes a unção do Espírito Santo e sabeis todas as coisas."
Se cada crente individualmente soubesse todas as coisas, não haveria a necessidade de ter pastores ou comentários da Bíblia. Este versículo deve estar falando da Igreja coletivamente. O corpo de Cristo como um todo e em todas as épocas não precisa de alguém de fora para ensiná-lo. Tudo o que ele precisa saber está na Bíblia, e o Espírito ajuda a Igreja a entendê-la. O Espírito guiou a noiva de Cristo através de várias controvérsias, trinitarianas, cristológicas, etc. A Igreja hoje não deve ignorar o que ela aprendeu no passado, mas sim, construir sobre o que aprendeu. Louvamos a Deus por Ele ter dado um grande mestre à Igreja.

4. O Espírito Santo Governa a Igreja

Cristo é o cabeça e Rei da Igreja. Cristo, porém, está nos céus. É através do Seu Espírito que Ele governa a Igreja. O Espírito dá dons e equipa indivíduos para ofícios e guia a Igreja para que aponte tais indivíduos. Quando os profetas e mestres de Antioquia ministraram e jejuaram ao Senhor, "o Espírito Santo disse: Separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At 13.2). Dirigindo-se aos presbíteros de Éfeso, Paulo disse: "Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus" (At 20.28). O Espírito também está guiando ativamente o desenvolvimento da obra. Paulo numa certa altura "tendo sido impedido pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia; defrontando Mísia tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu" (Atos 16.6-7).
Foi da vontade do Espírito que o Evangelho fosse pregado na Europa. O Espírito governava e guiava a Igreja naqueles dias de maneira sobrenatural. Hoje em dia Ele trabalha através da Bíblia, da providência e dos pensamentos do seu povo ao orarem pedindo direção. O Espírito também é ativo no exercício da disciplina da Igreja. "O que ligardes na terra será ligado nos céus... pois onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mateus 18.19-20). Nós ligamos esta "presença" em primeiro lugar ao culto, mas a sua primeira referência é à disciplina.

5. O Espírito Unifica a Igreja 

O movimento ecumênico tenta unir as igrejas, mas o melhor que ele consegue é apenas uma unidade organizacional, que apenas "passa um verniz" sobre as verdadeiras diferenças. O Espírito, no entanto, verdadeiramente, une todos os cristãos em uma só Igreja. Nesta Igreja não existem hipócritas. A entrada é através de Cristo, a porta. O Espírito trabalha do lado de fora desta união trazendo as pessoas para dentro de maneira irresistível. "Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus" (João 3.5). Este novo nascimento ou regeneração acontece quando o Espírito entra no indivíduo e, habitando nele, assim como ressuscitando-o de um estado de morte espiritual, une-o a Cristo. Estando todos unidos a Cristo, assim estamos também unidos uns aos outros. "Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1 Cor 12.13).
Assim como "o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros , sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo" (1 Cor 12.12). Esta unidade que o Espírito produz não é uma unidade mental, mas sim uma unidade real. É uma unidade mística tal como a da Trindade. Jesus ora por esta unidade dentro da Sua Igreja: "que eles sejam um, assim como nós somos um" (João 17.11). Por causa desta unidade essencial, os cristãos devem tentar "esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Há somente um corpo e um Espírito" (Ef 4.3-4). Indivíduos dentro da Igreja "como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual" (1 Pe 2.5), "uma habitação de Deus por meio do Espírito" (Ef 2.22). Unidade verdadeira unifica a Igreja invisível e os cristãos têm o dever de dar expressão visível disto ao buscarem unidade profunda na vida e na doutrina.

6. O Espírito Capacita a Igreja a Cultuar 

O culto corporativo é parte vital da vida da Igreja. Como cristãos nós devemos cuidar para que "não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns" (Hb 10.25). Nesta reunião Cristo está presente através do Seu Espírito (Mat.18.20). A congregação confessa a Cristo. "Ninguém pode dizer: Senhor Jesus! Senão pelo Espírito Santo" (1 Cor. 12.3). O louvor é parte fundamental do culto. O material a ser cantado é descrito como "cânticos espirituais", isto é, cânticos inspirados pelo Espírito (Ef 5.19). A oração também é essencial ao culto. Ela deve ser sempre "no Espírito" (Ef 6.18), de outra forma Deus não vai entendê-la. O papel do Espírito no culto congregacional é expresso por Paulo nas seguintes palavras: "Orarei com o Espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o Espírito, mas também cantarei com a mente" (1 Cor 14.15). Deste modo "se tu bendisseres apenas em Espírito" e o indouto presente na congregação dirá "amém depois da tua ação de tua ação de graças" (1 Cor 14.16).
De modo semelhante a pregação deve ser em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção (1 Tess. 1.5). O culto é morto sem o Espírito. "A letra mata, porém o Espírito vivifica" (II Cor 3.6).
No tempo da Reforma havia muita discussão sobre a natureza da presença de Cristo na Ceia do Senhor. A Igreja Católica Romana argumentava em favor da transubstanciação, isto é, que o pão e o vinho se tornavam o próprio corpo e sangue de Cristo.
A Igreja Luterana ensinava a consubstanciação, isto é, que o corpo de Cristo está com, sob e no pão e no vinho. Por causa da presença corpórea de Cristo, aonde quer que o seu povo esteja tomando parte da ceia os luteranos teriam que argumentar também em favor da onipresença do corpo físico de Cristo, isto é, que ele pode estar presente em mais de um lugar ao mesmo tempo, fisicamente.
A posição reformada é de que o Corpo de Cristo está nos céus e sendo humano pode apenas estar em um lugar de cada vez. Ele está presente na mesa do Senhor através do Seu Espírito. O Espírito Santo é quem nos capacita a louvarmos a Deus de maneira aceitável como congregação do seu povo.

7. O Espírito Santo na Evangelização

Antes de subir aos céus Cristo deixou a grande comissão com a Sua Igreja: "Ide portanto e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século" (Mat. 28.19-20). Cristo prometeu estar sempre com a Sua Igreja. Ele estava subindo aos céus. A única maneira pela qual Ele pode estar presente é pelo Seu Espírito. No relato dado no livro de Atos Ele diz para que os discípulos não se ausentem de Jerusalém, mas que "esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias" (At 1.4-5). A grande missão de evangelizar o mundo só poderia ser assumida com o poder do Espírito Santo. Quando Ele veio no dia de pentecostes, três mil almas foram convertidas. O "vermezinho de Jacó" trilhará os montes, e reduzirá os outeiros a palha (Isa. 41.14-15).
O Espírito Santo convence os homens do pecado, da justiça e do juízo vindouro (João 16.8). "O vento sopra onde quer" e quando ele toca nas pessoas, levanta-as dos mortos (João 3.8). Os Tessalonicenses se voltaram dos ídolos para servir o Deus vivo e verdadeiro. "...porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas sobretudo em poder, no Espírito Santo e em plena convicção" (1 Tess. 1.5). Cristo disse: "E sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mateus 16.18). Ele faz isso por meio do Espírito Santo, que é vital para o programa de evangelização da Igreja.


8. O Espírito Santo Reaviva a Igreja

"É claramente observável que desde a queda do homem até nossos dias, a obra da redenção em seu efeito tem sido levada adiante principalmente por meio de comunicações extraordinárias do Espírito de Deus. Mesmo que haja uma influência mais constante do Espírito de Deus sempre em alguma medida aguardando as Suas ordenanças, ainda assim, o meio através do qual as maiores coisas têm sido feitas no sentido de concretizar esta obra, sempre foi por meio de efusões extraordinárias em períodos especiais de misericórdia." Esta foi a conclusão de Jonathan Edwards (História da Redenção, Período I, parte 1).
Num reavivamento, uma Igreja seca e sem vida é despertada. O Espírito Santo traz novo arrependimento, oração e zelo. Deste modo ele reanima os membros que esmorecem e às vezes realmente começa um fogo (como de uma floresta em chamas). O Espírito é entristecido pelo pecado. Ele retira a Sua presença por causa dos ídolos, materialismo, mundanismo e falta de oração que vê na Igreja. Ele permanece fora até que o povo de Deus se arrependa. Nós não nos arrependeremos até que Ele volte como o Espírito da graça e de súplicas (Zacarias 12.10). Aí, sim, a Igreja de fato se arrepende e experimenta "a vida após ter estado morta" que é a essência do verdadeiro reavivamento (Rom. 11.15). Os cristãos são separados do mundo. A evangelização se torna efetiva. O temor de Deus desce sobre comunidades inteiras.
É disto que precisamos hoje, sem dúvida. Estamos no primeiro século desde a Reforma durante o qual não tem havido um reavivamento de grande escala na Grã-Bretanha e no Reino Unido (muito menos no Brasil). Nosso dever é de estarmos conscientes da nossa necessidade de que o Espírito reavive a Igreja, equipando-a para sua tarefa, instruindo, governando, unificando o corpo e trazendo verdade ao nosso culto e sucesso à nossa evangelização. A pregação da Palavra de Deus precisa ser "em demonstração do Espírito e de poder".

REVISTA N°9- LIÇÃO 13- A MISSÃO DA IGREJA

QUAL A MISSÃO DA IGREJA
 

Efésios 1.3-14

Estamos refletindo sobre a igreja. Até este momento, espero que já saibamos o que é a igreja e como fazer parte da mesma, mas não custa nada revisar o que temos aprendido até aqui. Sendo assim, vejamos o que é a igreja e como ser membro dela.


O que é realmente a igreja?


Igreja é um grupo de pessoas que foi chamado por Deus e aceitou o desafio de caminhar com Ele.


Igreja é um grupo de pessoas envolto no amor e santidade de Deus


Igreja é um grupo de pessoas que vive em segurança


O que fazer para ser igreja?


Para ser membro da igreja é preciso ir até Jesus


Para ser membro da igreja é preciso receber Jesus sua vida


Para ser membro da igreja é preciso crer em Jesus


Agora que revimos os estudos passados reflitamos sobre qual é a missão da igreja. O que nós pensamos sobre esta realidade?


Para alguns a igreja existe para evangelizar. A função primordial da igreja é a evangelização. Getz afirma: “A igreja existe, portanto, para cumprir duas funções fundamentais – a evangelização (fazer discípulos) e a edificação (ensinar-lhes). Por sua vez, essas duas funções respondem a duas perguntas – primeira: “por que a igreja existe no mundo?” e segunda: “por que a igreja existe como comunidade congregada?”.


Quando você indaga “Por que a igreja existe no mundo?”, você está perguntando o que Deus espera realizar por meio do seu povo à medida que este entra em contato com o mundo incrédulo! Quando você indaga “Por que a igreja existe como comunidade congregada?”, você está indagando o que Deus espera que aconteça aos fiéis à medida que se reúnem como membros do corpo de Cristo.”[1]


Esta é uma perspectiva. É uma visão e muita gente concorda com ela. A maioria das pessoas concorda com esta declaração.


Uma outra realidade que vigora, mas agora não com tanta força diz que a igreja existe para cuidar das pessoas e fazer as boas obras. Aquilo que ficou conhecido como evangelho social. Baseado nisto encontramos a declaração de Dusilek: “A mensagem do Evangelho transforma mais do que indivíduos. Transforma também a sociedade. As igrejas devem recuperar esse conceito de missão integral afim de se tornarem mais relevantes no desempenho de sua missão neste mundo e, assim, ensinarem “todo o conselho de Deus” (At 20.27).”[2] Este tipo de pensamento gerou várias teologias erróneas, a mais marcante é a chamada teologia da libertação.


Estas são algumas ideias existentes sobre a missão da igreja. Mas é para isto que existe a igreja. Para evangelizar e fazer a obra social?


A igreja existe para cuidar do homem de modo integral?


Qual é a missão da igreja? Para que ela realmente existe?


Olhemos para o nosso texto. Ele nos diz que fomos salvos para Deus. Existimos para Deus. Existimos para prestar louvor e adoração ao Senhor nosso Deus. Como afirma Conner em seu livro: “A principal obrigação, portanto, de uma igreja não é o evangelismo, nem missões, nem beneficência; é a adoração. A adoração a Deus em Cristo devia estar no centro das demais coisas que a igreja realiza.”[3] Existimos para adorar a Deus. Nosso compromisso é com o Senhor, mas é lógico que nossa relação com o Senhor afeta nossa relação como o outro. Sendo assim, qual é a missão da Igreja?


Vamos utilizar a resposta de Isaltino, pois cremos ser apropriada: “a missão da igreja é a adoração. Não é a evangelização, mas a adoração. Ela existe em função de Deus e não do mundo. No céu não haverá perdidos para evangelizar, mas haverá igreja porque haverá Deus. Ela existe por causa de Deus e não dos perdidos, repito. Isto define bem a missão da igreja em termos verticais. Quanto ao mais, me dispenso de me alongar neste aspecto.


Em termos horizontais, a missão da igreja é gente. Ela serve a si e ao mundo. Para isto, a igreja é uma comunidade que deve crescer. Leia-se o texto de Efésios 4.11-16. Cada um tem o que fazer, beneficiando os outros. A igreja é uma comunidade onde as pessoas interagem umas com as outras. Nosso povo deve ser ensinado a ver igreja da seguinte maneira: não é “o que a igreja pode fazer por mim?”, mas “o que posso fazer pela igreja?”. Serviço aos outros é a motivação horizontal da igreja.”[4]


Parindo destes pressupostos, vejamos portanto qual a missão da igreja.


A missão da igreja é adorar e glorificar o Senhor. O nosso texto diz que somos propriedade de Deus e o somos para o louvor da sua glória. A nossa missão primeira é adorar o Senhor. A questão é o que é adoração?


Ø Adoração é o ato da igreja reunida em que louvor e honra são dirigidos a Deus pelos seus dons preciosos a seu povo em Jesus Cristo e através dele. A chave da verdadeira adoração não é o homem, mas Deus.[5]


Ø A adoração cristã é a resposta alegre dos cristãos ao amor sagrado e redentor de Deus que conhecemos por intermédio de Jesus Cristo[6]


Ø A adoração é a nossa resposta à natureza santa de Deus e a seus atos redentores.[7]


Ø Adoração é o meio principal pelo qual mergulhamos nos ritmos e nas histórias da obra de Deus e aprendemos o conceito apropriado do trabalho, de obra criadora.[8]


Já conceituamos a adoração, agora vejamos uma boa definição que encontramos numa palestra de Isaltino que diz: “Mas o que é adoração? Na sua excelente obra Adoração na Igreja Primitiva, Ralph Martin nos declara que um dos termos hebraicos mais comuns para "adoração" significa "curvar-se".


Segundo ele, "enfatiza o modo apropriado de um israelita pensar na sua aproximação à santa presença de Deus" (p. 15). Outro termo bastante empregado, continua Martin, vem da mesma raiz da palavra escravo. No conceito grego, escravo era algo vil, baixo. No conceito hebreu, era a mais alta designação que um israelita podia fazer de si: era uma pessoa destinada a servir a Deus. Adorar era declarar-se servo de Deus. Era comprometer-se com o serviço a Deus.


Fiquemos com estes dois termos que nos abrem algum espaço. A adoração é um ato de curvar-se diante de Deus, reconhecendo sua grandeza, sua majestade, que ele é, nas palavras de Rudolf Otto, o Totalmente Outro. É também uma demonstração da disposição do adorador, curvado, de servir a Deus.”[9]


A missão da igreja é glorificar e adorar o Senhor. Esta adoração não pode ser apenas no domingo. É uma realidade vivencial. É um ato da vida. Todas as nossas atitudes devem ser para glorificar a Deus. Vejamos o que nos diz o apóstolo Paulo: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Co 10.31). Duas palavras fantásticas aqui neste versículo. A primeira é «quer», pois diz que o que quer que seja que façamos e estejamos a viver deve ser para a glória de Deus. Cada situação da vida deve ser para o louvor do Senhor. A segunda é «qualquer» que é vastíssimo. Esta palavra engloba todas as coisas. Sendo assim, tudo quanto realizamos deve ser com o propósito de glorificar a Deus. Nossa motivação deve ser a de adorar o Senhor. É a compreender esta realidade que entendemos as palavras de Jesus à samaritana: “Mas virá a hora e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai no Espírito e em verdade; porque são esses adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem no Espírito e em verdade.” (Jo 4.23-24). Estamos livres do espaço geográfico. Estamos livres das paredes. Onde nos encontramos há um centro de adoração. Tudo que fazemos deve ser para honra e glória de Deus.


A missão da igreja é ser. A grande questão que se coloca é o que a igreja deve ser?


Não há uma resposta, mas várias e todas elas têm seus desdobramentos. Sendo assim, iremos refletir sobre alguns temas e procurar abrir portas que nos conduzam a uma visão abrangente do reino de Deus.


Procuremos refletir sobre a essência do ser igreja no seu sentido amplo, integral. Desta maneira devemos entender que: “um cristianismo meramente vertical, que só olha a Deus, não é cristianismo; e um cristianismo horizontal, que só olha o homem, tão pouco é cristianismo. O primeiro é mero misticismo oco; o segundo, filantropia humana, nada mais.”[10] O que Martinez diz é que devemos ser plenos. Quando olhamos para a oração sacerdotal de Jesus encontramos uma declaração fortíssima que pouco ou nada tem sido explorada por nós. É verdade que é um texto que se não for bem analisado pode nos fazer cair em erros profundos. Contudo, vejamos o que o Senhor nos diz: “para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17.21). A igreja deve ser continuamente una com o Pai. Ele está ligada à divindade e por mais estranho que possa parecer ela é una com a divindade. A igreja é e manifesta a glória ao mundo por ser una com Ele. É interessante ver o que Jesus diz no dia em que institui a ceia, que na realidade é a nossa Páscoa. É interessante ver a analogia que o Senhor faz com a videira (Jo 15.1-17). Ele em nós e nós nEle. O Senhor diz que devemos ser discípulos. Precisamos ser pessoas que estão dispostas a aprender com Ele.


A igreja precisa ser. Ela deve ser. Ser uma com o Senhor. Ser una com o Senhor faz com que ela tenha o mesmo sentimento que há no Senhor. É interessante o nosso texto base pois ele diz o seguinte: (1) fomos eleitos em Cristo “antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele” (v.4). O nosso padrão não é o mundo, não é a sociedade o nosso padrão é Deus, pois nEle estamos e nEle nos movemos e se assim é, devemos ser como Ele, por isso Pedro vai buscar o texto de Levítico e diz: “Mas assim como é Santo aquele que vos chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo”. (1 Pe 1.15-16). A igreja tem seu início na eternidade e ela é projetada para ser santa. Sem fazer um estudo etimológico do termo santo, quero afirmar que santo é a pessoa que anda em correção de vida em todas as áreas da sua vida – nos negócios, na vida doméstica, na vida eclesiástica, no lazer, na produção de bens e de cultura etc.”[11] A igreja deve ser como o Senhor. Ela deve ser o reflexo da divindade como o Senhor que encarnou é a imagem do Pai (Jo 1.1-14).


O nosso texto continua afirmando que fomos predestinados para “sermos filhos de adoção” (v.5), e sermos par filhos com o objetivo de sermos “para o louvor da sua graça” (v.6). A igreja, nós “fomos feitos herança, havendo sido predestinados (…) com o propósito de sermos para o louvor da sua glória (v. 11-12). A igreja precisa ser. Contudo, para que a igreja seja como o seu Senhor, ela necessita crescer. Seu objetivo é gente. É ser gente para gente. Sendo assim, a igreja “serve a si e ao mundo. Para isto, a igreja é uma comunidade que deve crescer. Leia-se o texto de Efésios 4.11-16. Cada um tem o que fazer, beneficiando os outros. A igreja é uma comunidade onde as pessoas interagem umas com as outras. Nosso povo deve ser ensinado a ver igreja da seguinte maneira: não é “o que a igreja pode fazer por mim?”, mas “o que posso fazer pela igreja?”. Serviço aos outros é a motivação horizontal da igreja.”[12]


A igreja deve ser expressão máxima de amor. Amor que restaura, amor que se manifesta em atitudes benéficas aos outros. A igreja deve ser amor porque Deus é amor (1 Jo 4.8). Pensemos no que Paulo escreve sobre o amor (1 Co 13). “O amor entrega-se, não procura os próprios interesses, inclui, sonha em conjunto. Não é tecido de ciúme, despe-se da soberba e veste-se de humildade. O amor revigora o indivíduo que está cansado, anima o indivíduo que se sente abatido e encoraja a pessoa ferida. O amor não controla, não domina, não bloqueia a inteligência. Promove a liberdade, realça a auto-estima e reacende a esperança.”[13] A igreja deve ser amor libertador. Deve ser amor restaurador.


A igreja deve ser o referencial para a sociedade. Ele deve ser o fator diferenciador da sociedade. Foi isto que o Senhor disse no sermão da Montanha: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mt 5.13-16). A igreja não é chamada para ter, mas sim para ser. E aqui o Senhor diz que devemos ser sal da terra e luz do mundo. Gosto muito desta declaração: “Quando Jesus nos diz que somos o sal da terra, Ele nos afirma que a nossa vida tem que ser a mais saborosamente fantástica que este mundo já viu, uma vez que ela tem de ter, no seu cerne, um conteúdo de gosto para o desgosto da terra. Ele nos diz ainda que devemos ser o paladar de Deus nessa terra insípida, sendo o elemento que traz sabor a uma existência inteiramente destituída de sabor.”[14] Não somos apenas sal, somos luz. Somos transparentes, não escondemos nada. Permitimos que os outros vejam o que somos. O que devemos entender é que, “na qualidade de discípulos de Jesus, não devemos esconder a verdade que conhecemos ou a verdade do que somos. Não devemos fingir que somos diferentes, mas devemos desejar que o nosso cristianismo seja visível a todos.”[15]


A igreja é e neste ser, tudo o que fazemos que por palavras, ações o fazemos para a glória de Deus (Cl 3.17).


Conclusão

 
A igreja tem como missão ser. Ela é.

Ela não existe para o mundo, ela existe para Deus.


Creio que a melhor conclusão para este estudo é a declaração do meu amigo Isaltino: “A igreja existe em função de Deus, e não dos perdidos. No céu não haverá perdidos, mas haverá igreja porque haverá Deus. A igreja não deixará de existir quando não houver perdidos a evangelizar. Continuará existindo na eternidade porque o seu Deus é Eterno, e ela existe em função dele. A missão dela é Deus. É promover sua glória. É exaltar o seu nome. É proclamar os seus feitos. Não tomemos uma parte da missão como sendo o todo. Deus é o objetivo máximo e supremo da igreja.”[16]


Qual a missão da igreja? Numa única palavra, que na verdade é tudo: Deus.


Que seja assim e se faça assim para honra e glória de Deus.


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[1] GETZ, Gene A. Igreja: Forma e Essência: o corpo de Cristo pelo ângulo das Escrituras, da história e da cultura – Vida
Nova, São Paulo, 1994

[2] BERNADO, Salovi e MORAES, Luis Paulo de Lira (Org). Ação Social da Igreja de Cristo – JUERP, Rio de Janeiro 1998


[3] CONNER, Walter Thomas. O Evangelho da Redenção, 2ª edição JUERP, Rio de Janeiro, 1981


[4] COELHO FILHO, Isaltino Gomes. Um estudo sobre a igreja. www.ibcambui.org.br


[5] SHELLEY, Bruce L. A Igreja: o povo de Deus, 1ª edição Edições Vida Nova, São Paulo, 1984


[6] HORTON Davies. Christian Worship: Its a history and Meaning. Nashville: Abingdon, 1957


[7] BASDEN, Paul. (Org.) Adoração ou Show?: críticas e defesas de seis estilos de culto – Editora Vida São Paulo 2006


[8] PETERSON, Eugene H. A maldição do Cristo genérico: A banalização de Jesus na espiritualidade atual, 1ª edição,
Mundo Cristão, São Paulo, 2007

[9] COELHO FILHO, Isaltino Gomes. A principal missão da igreja. www.ibcambui.org.br


[10] MARTINEZ, José Mª e GRAU, José. Iglesia, Sociedad y ética Cristiana, 2ª edição , Ediciones Evangélicas Europeas,
Barcelona, 1973

[11] PINTO, Josemar de Souza. Tempo de Frutificar: uma chamada a um compromisso e ação coerentes com uma fé
autêntica, 2ª edição JUERP, Rio de Janeiro, 1995

[12] Op. Cit.


[13] CURY, Augusto. Os segredos do Pai-nosso: A solidão de Deus, 1ª edição, Editora Pergaminho Cascais 2008


[14] D’ARAÚJO FILHO, Caio Fábio. Sal fora do saleiro: Dando um novo sabor à sociedade em que vivemos, - VINDE
Comunicações, Rio de Janeiro, 1996.

[15] STTOT, John R. W. A Mensagem do Sermão do Monte, 2ª edição ABU Editora, São Paulo 1989


[16] Op.Cit.

REVISTA N°9- LIÇÃO 12- A RELEVÂNCIA DA IGREJA

IGREJAS EM BUSCA DE RELEVÂNCIA

Por Isaltino G. C. Filho 

Auxilio 01


INTRODUÇÃO

Igrejas em busca de relevância se tornou uma preocupação na mente de tanta gente que dá vontade de perguntar: como elas sobreviveram até hoje, num mundo tão competitivo, sendo irrelevantes? Numa sociedade secularizada e massificada por valores contrários aos das igrejas, como elas ainda existem, crescem e ainda preocupam tanta gente que se sente incomodada com elas? Parece que igreja é o negócio mais irrelevante do mundo e que alguns descobriram agora como torná-la relevantes, funcionais e interessantes.
Não creio que a questão por trás de tudo seja relevância ou sua ausência. Há outras mais. Pretendo mostrar isto neste trabalho. E também mostrar que esta preocupação não tem sentido.


1. DEFININDO TERMOS

A  questão se torna mais aguda quando tentamos entender o que se quer dizer com isso.  Porque relevância não é contemporaneidade. É importância. Neste sentido, se quer se dizer que a mensagem da igreja não é contemporânea, é verdade. Mas é importante. Porque importância não é contemporaneidade, mas ter valor ainda hoje. Quem queira  dizer que sua mensagem não tem importância hoje não aborda mais a questão de forma ou de modelo, mas nega a essência de sua pregação.
Exemplifico para mostrar que relevância e contemporaneidade não são a mesma coisa. Big Brother Brasil é contemporâneo, mas é irrelevante. A medicina, como ciência, não é contemporânea, mas é relevante. A questão me soa mais como um desejo de tornar a igreja contemporânea no mesmo nível e prática de certos eventos que foram assim definidos pela cultura prevalecente.  Nossa cultura parece ter voltado ao primitivismo. As pessoas se comunicam mais com o corpo que com a cognição. A cultura do sacolejo, por exemplo, nos produziu algo curioso: a qualquer momento que ligarmos a televisão veremos um grupo musical se sacudindo. Pode ser de baixa qualidade musical, mas se sacoleja, e é exótico, então é contemporâneo. A letra pode ser paupérrima, mas se está envolta em sacolejo, é contemporânea. Isto foi definido como o correto. Tal mentalidade migrou para o eclesiástico. Tudo que é igreja tem um grupo de louvor. Alguns, e tenho visto nas minhas andanças pelo Brasil, de baixíssima qualidade musical. Mas é contemporâneo. Um coral ou um quarteto pode ter excelente qualidade musical, mas é ultrapassado. Como resultado, digo sem titubeio e sem exagero: a qualidade musical de nossos cultos caiu muito, nos últimos anos. É medíocre. Ruim mesmo.
Que relevância querem impor à igreja? Relevância não é quantificável. Nos termos em que está sendo disposta é questão de opinião. Por isso levanto a questão: o que é relevância e por que a igreja deve ter o que chamam de relevância?

2. O X DA QUESTÃO: DE QUE ESTÁ SE FALANDO?

Deu para entender que a questão é esta: de que estão falando? O que querem impingir à igreja? Comecemos pela definição de igreja. Evitarei definição formal e rebuscada. Ela é agência do Reino de Deus. É o aspecto visível do Reino invisível. Sua missão é anunciar Jesus Cristo como Senhor sobre todos os homens. Neste sentido ela é relevante. Ela anuncia a mais importante mensagem que o mundo precisa ouvir. Se o faz adequadamente, se alguns de seus setores se desviam desta linha, é outra questão. O que interessa é isto: como instituição e com a mensagem que tem, a igreja é relevante ou não? Não é se gostamos dela ou não, mas se o evento teológico chamado igreja é relevante ou não. E se seu tema é relevante ou não.
Muita gente tem analisado a igreja por um ângulo secular. Quando morei em Brasília fui o pastor organizador da Igreja Batista da Quadra 02, em Sobradinho. Foi um dos momentos mais agradáveis no meu ministério. A Quadra 02 é um dos meus xodós. Fui seu organizador e primeiro pastor. Foi em 23 de abril de 1988. No dia 25 fui à sede da TERRACAP para ver se havia algum lote disponível, na Quadra 02, para igreja. Fomos organizados em uma escola. O representante da TERRACAP me disse que não havia interesse em vender área para  igrejas porque elas subutilizam a propriedade, com reuniões apenas às quartas e domingos. Suas áreas não tinham função social. Como terreno em Brasília era raro (e depois houve tantas invasões de luxo que foram toleradas!) isto não era interessante. Perguntei-lhe por que havia estádios de futebol em Brasília, se lá não havia futebol. Qual era a função social dos estádios de futebol, inclusive o do Sobradinho, onde aconteciam jogos com dez pagantes. Talvez alguns parentes de alguns jogadores.  Qual era a função social dos botequins? Quem mais ajudava as pessoas, no sentido de prepará-las para vida, a igreja ou o boteco?
Relevância não se quantifica. Não se mede por quilômetros ou reais conseguidos. Como a mensagem da igreja é espiritual e apela para o espírito do homem (que não se quantifica nem se mede) ela é vista como irrelevante. Mesmo que uma pessoa depravada seja tornada em santa. Mesmo que um criminoso seja regenerado. Mesmo que um drogado se levante ou uma prostituta se torne uma mãe extremosa. Tudo isso são valores não quantificáveis nem mensuráveis. A sociedade valoriza pela quantidade e pelo movimento. Não nos iludamos com isto.
O mundo não pode avaliar o que foi uma alma consolada num culto. As pessoas não ficam sabendo que alguém entrou num culto pensando em suicídio, mas ali foi alcançado pela graça de Deus e saiu com novo ânimo para a vida. Relevância da igreja, para alguns, só acontece se houver um curso de artesanato, um prato de sopa dado a alguém, uma muda de roupa velha dada a outrem, um corte de cabelo feito num mendigo. Porque estas coisas são quantificadas e mensuradas. Não me entendam mal. Essas coisas são boas e as igrejas que as realizam estão fazendo algo bom para a comunidade. São atos bons, mas qualquer organização beneficente pode fazê-los. No entanto, pregar o evangelho que coloca a vida do homem em ordem com Deus só a igreja pode fazer. Nenhuma outra  instituição pode. Esta é a relevância da igreja! Esta é sua singularidade! Esta é uma das razões pelas quais sou apaixonado por igreja. Ela é fantástica!
Quando se discute o tema “igrejas relevantes”, estamos falando mesmo de relevância ou de uma adequação da igreja a uma ótica mundana esposada por alguns, que a contemporaniza? Ela pode ser relevante sem ter essa contemporaneidade. Mas pode ser contemporânea e ser irrelevante. Pode ter artesanato, sopa e corte de cabelos, mas ser, como igreja, irrelevante. A relevância da igreja vem de sua mensagem. Se ela proclama a salvação pela fé em Cristo, ela é relevante. Se ela chama os homens a se reconciliarem com Deus por meio de Jesus ela é relevante.


3. UM EQUÍVOCO NA AVALIAÇÃO DA IGREJA

Desdobro o argumento: o equívoco está na ONGuização da igreja. Na atribuição de muitos fatores sociais a ela, fatores que não são errados, mas são acessórios e não a sua essência. No equívoco de vê-la mais como organização social, que deve preencher áreas sociais da vida não atendidas pelo poder público, que como agência proclamadora do Reino. E digo Reino nos moldes do proposto por Jesus e não como o resultado de acréscimo de coisas que puseram no termo. Há um blábláblá enorme sobre Reino no discurso teológico latino americano de esquerda. Falo de Reino como os evangelhos falam. E parece que quem não tem o acessório, mas só o fundamental,  é visto como irrelevante e pregador de evangelho descarnado.
Nada também contra as ONGs, por favor. Sei que evangélicos têm uma imensa capacidade de colocar na boca dos outros palavras que os outros não disseram (ou escreveram – apenas 24% dos brasileiros conseguem decodificar um texto). O que digo é isto: a  missão precípua de uma igreja não é prover assistência social nem lazer e entretenimento para jovens. Ou cuidar de animais de rua (eu mesmo estou me engajando em uma ONG para cuidar de animais de rua, em Macapá).  Estou usando ONG como figura pelo seu aspecto social, e pela sua estrutura, de comunas, como a igreja local. Elas têm uma utilidade pública por causa do seu escopo social.
O terreno é minado e vou andar por ele com cuidado. Mas vou andar. O noticiário político (deveria ser policial) nos mostra ONGs que foram criadas para sugar dinheiro do Estado. Trambique puro. Fiel ao seu viés marxista de ter um Estado forte que domine tudo (o Estado brasileiro quer até ensinar os pais a não darem palmadas nos filhos), o Ministro Aldo Rabelo quer menos ONG e mais Estado. O problema não são as ONGS, e sim que corruptos encontraram brechas na lei e criaram ONGs de fachada para seus fins escusos. E alguns desses corruptos fazem parte do Estado. Elas cumprem um papel extraordinário. Suprem lacunas do Estado, são mobilização popular, têm mobilidade administrativa. Elas são um fenômeno social fantástico.
Mas a igreja é diferente. Sua utilidade (se podemos usar este termo) deve ser percebida de outro ângulo. A relevância da igreja reside em ela cumprir a missão para a qual foi destinada. Eis  Atos 2.38: “Pedro respondeu: – Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que os seus pecados sejam perdoados, e vocês receberão de Deus o Espírito Santo”. Eis 2Coríntios 5.20: “Portanto, estamos aqui falando em nome de Cristo, como se o próprio Deus estivesse pedindo por meio de nós. Em nome de Cristo nós pedimos a vocês que deixem que Deus os transforme de inimigos em amigos dele”.  Esta é a missão da igreja.


4. UMA PROPOSTA DE CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DA RELEVÂNCIA DA IGREJA

Começo de maneira apologética. Quem transformou mais pessoas que Jesus Cristo? Quem recuperou mais vidas, ao longo da história? Quem tirou mais gente da lama?
Trabalhando com pessoas com problemas de álcool e drogas, fiquei conhecendo muito do trabalho dos Alcoólicos Anônimos. É sério e fantástico e tem ajudado muita gente. Os AA não querem entrar em competição com ninguém, sei disso. Mas, com respeito a eles, Jesus fez mais que eles para tirar pessoas do vício.
Pessoas que são regeneradas pelo poder do evangelho são novas criaturas. Se a igreja quiser ser mesmo relevante, que pregue Jesus Cristo, poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Estamos assumindo um complexo de inferioridade em relação ao mundo, e muitos de nós não cremos mais que pregar Jesus Cristo, o poder de Deus que salva, regenera e muda para sempre é a mais importante coisa que se pode fazer. Em muitas igrejas o louvor é mais importante, e em muitos cenários a igreja é direcionada para o poder político e social. Nossa relevância vem daqui, e este é o critério correto: só o evangelho pode transformar pessoas e a sociedade. O resto são folhas de parreira para esconder os resultados do pecado.
Neste sentido, nada é mais relevante à igreja que cumprir sua missão, não a descrita pelos missiólogos, mas a estabelecida pelo Senhor Jesus, e bem descrita na Grande Comissão: “Então Jesus chegou perto deles e disse: – Deus me deu todo o poder no céu e na terra. Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês. E lembrem disto: Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28.18-20)..
Mas recordo uma palavra de A. W. Tozer: “É falsa a concepção de que a primeira missão da igreja é anunciar o evangelho. Sua primeira missão é ser espiritualmente digna de fazê-lo”.  Igrejas fracas, sem autoridade espiritual, que pregam um cristianismo folgazão e de entretenimento, divulgarão um evangelho falso. Há muita gente querendo que a igreja seja amigável. Há até um livro com este título, Igrejas amigáveis. Recordo uma frase de Haroldo Reimer: “A igreja não está no mundo para fazer relações públicas, mas para entregar um ultimato”. Ela chama os homens a deporem as armas e se renderem a Cristo. Como disse Douglas Webster: “O pecador não é um coitado, mas um rebelde de armas nas mãos contra Deus”. Ao invés de seguir George Barna, que ela siga Abraão e seja amiga de Deus.
Queremos igrejas relevantes?  Elas serão relevantes na medida exata em que compreenderem bem para que existem, qual sua missão, qual sua mensagem, e estabelecerem suas prioridades. Evangelismo e missões são suas prioridades. Se elas perderem isto, poderão ser relevantes ao mundo, mas irrelevantes para Deus.

CONCLUSÃO

Citei Abraão e vou encerrar por ele. Quando chegava numa cidade, o velho patriarca, antes de tudo, levantava um altar de pedras para Deus. Depois, para si, fazia tendas. Para Deus a prioridade e o duradouro. Para si, o secundário e o temporário. Nós construímos mansões para nós e investimos pouco em vidas. Não investimos mais em missões e evangelismo, que rendem frutos para a eternidade. Gastamos mais com patrimônio que com missões. Gastamos mais com futilidades pessoais que com o Reino.
Abraão foi relevante. Porque foi fiel à sua chamada. Igreja relevante é aquela que é fiel à sua chamada, que é pregar Jesus como Senhor, e não a que se contenta em ser trampolim para eleger políticos ou pretexto para pessoas formarem império econômico. Da mesma maneira, o pastor relevante não é que se preocupa em escrever seu nome em gás néon, mas em exaltar o nome de Jesus. É aquele cujo tema predileto não seja ele mesmo (há gente que só consegue falar de si mesma!), mas Jesus Cristo. “Eu me propus a não saber nada entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co 2.2).
Eu os desafio a serem obreiros relevantes e a formatarem igrejas relevantes. Pela ótica neotestamentária e não pela ótica do mundo.
Tenho dito. E era o que eu tinha a dizer.

REVISTA N° 9- LIÇÃO 12- A RELEVÂNCIA DA IGREJA

UMA IGREJA RELEVANTE PORQUE CRISTO É RELEVANTE PARA VOCÊ




 
Auxilio 01


 Por Israel Belo de Azevedo

Atos 2.37-47

Como vai a nossa igreja?

Como igreja não é uma instituição mas uma comunhão de pessoas que buscam ao Senhor,
a pergunta também pode ser: como vão as nossas vidas? Nossa igreja irá como nossas vidas estiverem.
A relevância da igreja está na relevância de Cristo para seus membros. A experiência da igreja apostólica, na sua infância, deixa bem evidente esta verdade.
Nesta experiência, encontramos reafirmada, por ações e palavras, a relevância de Cristo para aqueles crentes. O Cristo deles tem (ou, pelo menos, deveria ter) a mesma relevância do nosso. A propósito, a origem desta palavra "relevância" (que quer dizer importância, valor, destaque) tem a ver com a própria ação de Cristo para conosco, que é relevar os nossos pecados, apagando-os completamente, ao ter sido levantado na cruz. Curiosamente, relevar também tem a ver com levantar.
Este texto devia ser um retrato de toda igreja, de qualquer igreja, em qualquer tempo. Os tempos mudaram, mas não há uma prática sequer ali que não devamos desenvolver aqui, se Cristo é relevante (importante, tem valor) para nós, embora a aplicação possa encontrar outras expressões. Para sermos solidários, por exemplo, não precisamos ter tudo em comum, vendendo nossas propriedades para formar um fundo único de bens, mas temos que nos incomodar por termos até o supérfluo e o outro não ter sequer o básico.

É, portanto, por esta reportagem que nossa igreja deve ser julgada; é por esta igreja que nossas vidas devem ser avaliadas. Podemos criar nossos padrões em torno do que seja uma boa igreja, mas o padrão válido está dado pela igreja de Atos 2. Podemos formular nossos métodos de crescimento, mas o método da igreja de Atos 2 tem que ser o nosso. Podemos criar nossos estilos de adoração, mas o entusiasmo da igreja de Atos 2 deve ser o nosso. Não há dúvida que  a igreja é relevante quando Cristo é relevante para cada um de nós.


PORQUE CRISTO É RELEVANTE
 
Recordemos porque Cristo é relevante.
1. Cristo é relevante porque só Ele salva. Atos 2 convida a todos ao arrependimento (verso 38), o primeiro passo para a salvação. Aquela era uma comunidade que tinha uma lembrança vívida que que fora salva por Jesus. Aquela era uma igreja que vivia porque era salva e vivia para salvar. E sua principal "estratégia" era a relevância de Cristo para cada um dos seus membros.
Podemos nos emocionar com a nossa família, podemos nos encantar com a nossa escola, podemos nos envolver com o nosso trabalho, podemos nos alegrar com os nossos amigos, mas só Jesus Cristo salva, permitindo um relacionamento saudável com a família, uma avaliação criteriosa da educação, uma valorização adequada do trabalho e uma fruição madura das amizades.
Esta salvação tem uma dimensão transcendental, uma dimensão existencial e uma dimensão emocional e social. No plano do mistério, Jesus perdoa os nossos pecados. Conquanto não haja lógica em um morrer por todos, Ele morreu para que o peso deste pecado fosse tirado de nossas costas, para que pudéssemos ter comunhão com Ele, com o Pai e com o Espírito Santo.
No plano existencial, esta salvação dá sentido à nossa a vida. Quem não é salvo pode ter bens, amigos e alegrias, pode até se dar bem na vida, mas não sabe para onde vai. A sensação e a certeza de uma vida com um propósito claro só tem aquele que é salvo por Jesus Cristo, porque foi tirado das trevas para caminhar na luz, e na claridade os alvos são visíveis. Não se corre por correr, corre-se para uma meta clara, meta que dá sentido à corrida. O homem que não é salvo está mais para Sísifo do que para Paulo. Sísifo era um homem condenado a carregar uma pedra até o alto de um monte, para levá-la de novo para lá quando rolasse para a base. Paulo era um homem que deixava as coisas que para trás ficavam e corria para o supremo alvo que Deus lhe tinha posto por meio de Jesus Cristo (Filipenses 3.14).
No plano emocional e material, Jesus supre as nossas necessidades. Nossa família supre as nossas necessidades, mas pode nos abandonar. A escola supre nossas necessidades de aprendizagem, mas não tem nenhum compromisso conosco; nós é que temos com ela. O trabalho nos supre a necessidade de recursos e até mesmo a necessidade de nos sentirmos úteis, mas a relação será sempre de interesses, dele para conosco e nosso para com ele. Os nossos amigos suprem as nossas necessidades de sermos partes do mundo, apoiando-nos, divertindo-nos, mas nossos amigos, que tão bem nos fazem, são a fonte de nossas principais decepções. Só há uma Pessoa que nunca nos abandona, por não ter conosco uma relação movida a interesses, e esta Pessoa é Jesus Cristo.
Uma igreja relevante é composta de pessoas salvas, que sabem que foram salvas e que devem viver como salvas.

2. Cristo é relevante porque nos dá o Espírito Santo
 
Ao arrependimento, simbolizado pelo batismo, está associado o recebimento do Espírito Santo (Respondeu-lhes Pedro: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" -- verso 38).
Segundo cremos, o arrependimento é uma ação do Espírito Santo, ao nos convencer do nosso erro. Depois do arrependimento, recebemos um presente: a unção do Espírito Santo que nos enche de temor e nos capacita a fazer aquilo para o qual Deus nos chama a fazer. A explicação para tudo o que aconteceu naquela igreja de Atos está no verso 43: Em cada alma havia temor (verso 43). É o Espírito Santo que mantém em nossos corações o "temor", temor do Senhor.
Esta expressão ("temor do Senhor", "temor de Deus"), embora apareça 50 vezes na Bíblia,sempre demanda uma explicação. Especialmente à luz de Atos 2, podemos defini-lo como um jeito de ser diante do qual as pessoas vêem Deus agindo. O apóstolo Paulo diz que, quando conhecemos o temor do Senhor, persuadimos os homens e somos cabalmente conhecidos por Deus (2 Coríntios 5.11), isto é, convencemos sem palavras por aquilo que somos e Deus, que nos sonda, vê um entusiasmo sincero em nós.
Há, portanto, uma forma de sabermos se temos o temor do Senhor. Quando uma pessoa convive com você, ela tem vontade de ser cristã? Ter o temor do Senhor não é ser chato, nem alienado, nem legalista, mas ser amorosa, consciente e graciosamente dependente do Senhor. Ter o temor do Senhor não é viver dominado pelo egoísmo, pela mentira e pela vaidade, mas viver orientado pelo Espírito do Senhor. Ter o temor do Senhor é ser movido por uma paixão, não uma paixão repentina por Cristo, mas uma experiência viva da presença de Deus, como uma nuvem pairando sobre as nossas cabeças ou como um sangue bombeando os nossos corações.
Evidenciamos o temor do Senhor quando somos cheios de saudade desta igreja de Atos 2; quando a vida daqueles primeiros cristãos se torna o nosso ideal também.


QUANDO A IGREJA É RELEVANTE
 
A igreja de Atos era tão relevante que contava com a simpatia de todo o povo da cidade e enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos (verso 47).
A igreja é relevante porque é por meio dela que Cristo salva. Em outras palavras, é por meio da igreja que Cristo perdoa os pecados humanos; é por meio da igreja que Cristo dá sentido as vidas humanas; é por meio da igreja que Cristo supre as necessidades humanas.
Por isto, para ser relevante, a igreja precisa ser composta de pessoas salvas, mas de pessoas salvas que firmam compromissos e se esforçam para cumpri-los, pessoas que desejam crescer no conhecimento e na graça de Cristo, pessoas que têm interesse por pessoas, pessoas que têm prazer em adorar.

1. A igreja é relevante quando se reúne, para adorar.
 
A reportagem de Lucas termina informando que a igreja louvava a Deus (verso 47), indicando tratar-se a adoração de uma marca forte na vida de todos. Logo em seguida, o repórter acrescenta que a igreja contagiava o povo de Jerusalém, e certamente o louvor era um dos meios para este impacto.
A reportagem não poderia terminar de outra forma. É possível que uma pessoa que adore não impacte seu meio, mas uma pessoa que não adora não contagia a ninguém, nem a si mesma. A adoração é uma necessidade básica do cristão. O cristão que não adora não é um cristão, porque quem não adora acha que se basta a si mesmo e não reconhece a majestade de Deus.
Quando Cristo é relevante para nós, temos prazer em cantar o Seu nome, começando pelos momentos a sós, seja em casa, seja na rua. A música flui naturalmente de nós, em ações de graças. O mesmo livro de Atos narra que, em certa circunstância desfavorável, Paulo e Silas estavam encarcerados, com os pés e mãos amarrados, sem poder segurar um hinário, mas, assim mesmo, como se não estivessem presos, cantavam ao Senhor durante a noite. Eles não esperaram ser soltos para cantar. Eles cantaram e foram soltos (Atos 16.25).
Quando nos reunimos, devemos nos apresentar diante de Deus com ações de graças e celebrá-lO com salmos de louvor (Salmo 95.2). É na congregação que nos ensinamos mutuamente sobre a Palavra de Deus e louvamos conjuntamente o Deus da Palavra, com salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em nossos corações (Colossenses 3.16; Efésios 5.19).
A igreja reunida torna-se o lugar por excelência da adoração coletiva. Todo cristão deve se reunir, pelo menos uma vez por semana, para cantar a maravilhosa graça de Jesus. O louvor contagia a quem canta. O louvor contagia a quem ouve. Todo cristão deve ter prazer em se reunir com os seus irmãos. Quem é humilde se associa a outros humildes. Quem é soberbo reúne-se a si mesmo porque se basta a si mesmo.
Excetuados os impedimentos sérios, há algumas exceções a esta necessidade. Não precisa se reunir com seus irmãos aquele que tem uma fé tão fraca que o contato com outras fraquezas tornará sua fé ainda mais débil... Também não precisa se reunir à sua igreja aquele irmão que já alcançou uma estatura espiritual tamanha que o convívio só lhe trará prejuízo... Na verdade, estou certo que aquelas pessoas que se afastaram da igreja reunida afastaram-se porque preferem viver os seus próprios valores e não os valores de Deus que a igreja prega ou, na melhor das hipóteses, preferem viver os valores de Deus ao seu modo, não ao modo de Deus. Quem vive como se a igreja não existisse muito provavelmente vive como se Deus não existisse, como se Jesus não tivesse morrido em seu lugar, como se o Espírito Santo não o capacitasse.
Não por acaso, a Bíblia nos recomenda a não deixarmos de nos congregar, como, infelizmente, alguns fazem (Hebreus 10.25). A igreja congregada é forte. O crente isolado é fraco.

2. A igreja é relevante quando vive pelo poder de Deus.
 
É a adoração que fornece a força da igreja.
A reportagem de Lucas começa com a perplexidade dos crentes diante das ações esplêndidas de Deus: "e agora, o que faremos?" (verso 37) -- perguntam. Eles sabiam que tudo o que acontecera não viera deles, mas viera de Deus.
A igreja é um sinal de Deus porque ela nada faz senão por Cristo. A remissão dos pecados (isto é, a salvação) é uma obra de Cristo. O dom do Espírito Santo é o cumprimento de uma promessa de Cristo. O batismo é o símbolo da obediência do cristão a Cristo. A igreja não pode se esquecer de onde veio (de Cristo) nem para onde vai (para Cristo). Está na igreja quem foi chamado por Deus (verso 39) por meio de Cristo e respondeu afirmativamente ao Seu convite, sim, porque Ele chama a todos, mas são poucos os que dizem "sim". Viver pelo poder de Deus é ser chamado por Ele para a salvação. Viver pelo poder de Deus é tornar-se parte do corpo de Cristo na terra, que é a igreja. Viver pelo poder de Deus é deixar-se capacitar por Ele para dar ao mundo o que o mundo precisa: Cristo. O poder humano tem um nome: política. O poder de Deus tem um nome: graça, graça que se expressa em salvação, graça que se expressa em doação. Cristo se deu à igreja para salvá-la.
A igreja não pode esquecer da sua origem sobrenatural, porque foi fundada sobre a fé em Cristo. Ela pode e deve usar métodos próprios de sua época, mas a época e seus métodos passarão ela ficará. E ela ficará enquanto permanecer sobrenatural, fazendo prodígios e sinais (verso 43).
E ela é tão sobrenatural que o Espírito Santo a equipa com dons para a sua edificação espiritual. Esses dons são para serem usados nos vários ministérios que o próprio Espírito inspira. Os dons são muitos e mais amplos ainda os ministérios possíveis. Por isto, o mínimo que um cristão deve fazer é se comprometer a participar prazerosamente de, pelo menos, um ministério na sua igreja. Se podemos dizer que não há um cristão sem, pelo menos, um dom, podemos afirmar também que não há igreja sequer que não precise de mais ministérios do que já tenha. Não há limite para os ministérios, assim como não são sem limites as necessidades.
Quando reconhece os seus dons e se põe a aplicá-los, a igreja cresce. Quando um crente reconhece seus dons e se põe a aplicá-los, ele cresce, porque a sua vida passa a ter um propósito claro. [À noite, vou contar uma história de como o propósito claro na vida dá sentido a uma vida]
Você lê a reportagem de Lucas (Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas -- verso 41) e fica arrepiado. Então, envolva-se num ministério. Há vários na igreja. Você deve participar de, pelo menos, um deles. E se Deus inspirar, invente (imagine, crie) um. Todos os ministérios começam com uma pessoa e podem acabar envolvendo dezenas de pessoas.
A igreja será relevante para você, se você for relevante para ela. Cristo quer ser relevante para você.

3. A igreja é relevante quando pensa segundo a Palavra de Deus.
 
Um dos traços da primeira igreja cristã da história era a sua unidade. Por isto, ela cresceu.
Ela cresceu porque em cada um dos seus membros havia temor (verso 43) e porque todos eram exortados (verso 40) a perseverar (permanecer, continuar) na doutrina dos apóstolos (42).
E aqui precisamos confessar nossas dificuldades. Queremos ser cristãos, mas queremos pensar com nossas próprias cabeças. Queremos ser parte de um corpo, mas queremos conservar a nossa independência. E alguns acham que estes desejos são incompatíveis  com a experiência da igreja. Os cristãos de Atos 2 diariamente perseveravam unânimes no templo (verso 46). Queremos isto?
Não queremos, não queremos por não entender o que significa(va) a perseverança unânime. Se olharmos para aquela igreja, vemos que ali havia três líderes: Pedro, Tiago e João. Lendo o livro de Atos, observamos que tinham visões diferentes quanto à teologia e à metodologia. Pedro, por exemplo, achava que os costumes judaicos eram para todos; Tiago não via necessidade disto.
A unanimidade daqueles primeiros cristãos estava na certeza do poder de Deus e do propósito de Deus para as suas vidas. Cada um tinha a sua cabeça, isto é, o seu modo de ser e pensar, mas todos reconheciam que o pensamento de Deus era o melhor para eles. A palavra de Deus era relevante para eles, razão pela qual procuravam viver segundo a Sua orientação. Eles sabiam que o que sabiam era pouco diante do que podiam saber. Eles sabiam que o que viviam era menos do que podiam viver. O "mais" e o "melhor" da sua vida estavam em Cristo, não em si mesmos. Cristo é relevante para nós quando vivemos segundo a palavra de Deus  porque a consideramos superior para nós. Em nome da autonomia, acabamos aderindo ao modo de pensar e ser da cultura de que também somos parte. E chamamos a isto de independência.
Crer e pensar não são incompatíveis. Crer é pensar, é pensar profundamente. Pensar é crer, é crer corajosamente. Quem pensa crê. Quem pensa superficialmente crê em outras coisas. Quem pensa profundamente crê num Deus criador e num Deus salvador. Lembro-me, então, da entrevista o conhecido filósofo Martin Heidegger, em 1966, quando disse: "A filosofia não poderá conseguir uma mudança imediata do atual estado do mundo. Isto não vale apenas para a filosofia, mas para todos os sentidos e costumes humanos. Somente um Deus ainda pode nos salvar. A única alternativa que nos resta é preparar, no pensamento e na poesia, uma disposição para a aparição deste Deus, ou aceitar a ausência deste Deus no declínio; aceitar que estamos sucumbindo na presença deste Deus ausente". (Entrevista reproduzida no jornal Valor, de 28.9.2001, caderno Fim de Semana, p. 5).
Parte de nossa cultura tem sucumbido na presença de um Deus presente que a cultura julga ausente e faz o que quer. Há muitos cristãos que se julgam cristãos mas vivem como querem, pensam o que querem, pouco se importando com o que Deus pensa, com o que Deus quer. Há cristãos que não precisam mais de Deus. Esta é a tragédia do Cristianismo que a igreja de Atos nos ajuda a perceber como grave para a história de cada um, para a história da igreja e para a história da humanidade.

4. A igreja é relevante quando busca e recebe pessoas.
 
É difícil escolher que traço é mais característico da igreja de Atos 2, especialmente quando consideramos o modo como ela buscava e recebia as pessoas. Aquela era uma igreja acolhedora.
O repórter faz várias sínteses da experiência da igreja. Em todas, a atitude-chave é uma só.
. aqueles cristãos batizavam os que aceitavam a graça de Deus, arrepeendendo-se e crendo em Jesus (verso 41). Eles aceitavam os que os procuravam, tanto os aceitava que os batizava. Não havia pré-condições, se não a fé. Não lhes importava se aqueles que Deus dava à igreja eram livres ou escravos, se iam trazer mais recursos financeiros para igreja ou gastá-los, se tinham boa aparência ou não, se tinham raízes, no caso raízes judaicas, ou não.
. aqueles cristãos perseveravam na comunhão, na partilha do pão e na oração coletiva (versos 42 e 46). Eles deviam ter problemas entre si, porque não eram anjos, mas homens. Assim mesmo, superavam as suas diferenças para estarem juntos, tomando a Ceia do Senhor com alegria, dividindo comida com não tinha, intercedendo uns pelos outros e pelos de fora da comunidade.
. aqueles crentes permaneciam muito tempo juntos, ao ponto de compartilharem seus próprios bens (versos 44-45). As condições sócio-economicas eram outros, mas eles trabalhavam, mas curtiam estar juntos daqueles que tinham o mesmo "temor" que eles. Aquele "socialismo" é inviável hoje por causa da estrutura de nossa sociedade e do egoísmo humano. No entanto, o princípio nele presente deve estar presente nos dias de hoje: o interesse pelas condições materiais do próximo.
Aquela comunidade agia daquelo modo "naturalmente". Não era um comportamento mercadológico, realizado para alcançar um fim planejado. Ninguém consegue fingir simpatia o tempo todo. O temor do Senhor produzia neles um interesse real pelas pessoas. E isto provocava um impacto tal que levava pessoas à salvação. Naquelas circunstâncias o testemunho falava mais alto que as palavras.
Nossa igreja crescerá naturalmente se ela for calorosamente acolhedora. Numa época de tanto isolamento, podemos  ser o paraíso onde se refugiam as pessoas da frieza e secura do mundo. Não estamos falando de estratégia; estamos falando algo de que flui naturalmente.

CONVITE FINAL
 
Como vai a nossa igreja? Como vamos nós.
A reportagem da igreja-modelo está diante de nós.
Se ela não é relevante para você, é possível que ela esteja muito longe Atos 2.
Pode ser também que você esteja longe de Atos 2.
Pode ser ainda que você e a igreja estejam longe de Atos 2.

Vamos ser como a igreja de Atos 2?